Cecília. Leia. Seja amigo. Siga. Escreva. Veja. Leia mais.


___________________________________________ 04/04/09 @ 22:42   Comentários 1

São Paulo - 4/4 *

Desde sempre, não sei bem quando, eu tenho um apreço por observar as pessoas. A coisa é tanta que me dou ao trabalho de sacar o caderninho da bolsa - amassado coitado, mal custou dois pilas e sonha em ser um moleskine - e escrever qualquer coisa.

Primeiro foi aquele cara, aquele que tinha todo jeito de encontro às escuras. "Vou estar com uma camisa pólo verde". Bonitinho ele. Olhava pras moças e sorria - oi? - depois esperava um pouquinho por uma retribuição. Na falta dela, dava mais uns passos. Ficou um tempão por ali, perto da livraria, depois subiu, desceu, sorriu mais, perdi de vista. Na última vez ele continuava sozinho.

Quase ao meu lado, uma senhora que era, com certeza, diretora de escola, e das escolas ricas. Não sei explicar, era e pronto. Uma camisa branca bem cortada fazia fundo pra um colar colorido bonito, uma maquiagem viva, mas sem exageros. Ela não conseguia ficar sentada por muito tempo. Levantou e comprou uma água. Levantou e foi até a livraria. Voltou e folheou o jornal ainda em pé. Trocou meia dúzia de palavras com o marido e saiu, pra voltar com um pão de queijo. Comeu e abriu a mala, revirou até encontrar um livro que não parou pra ler. Falou com o marido de novo. Ele, mudo. Absorvido por um livrinho de Sudoku enquanto eu queria oferecer tranquilizantes pra sua esposa.

E lá vem de novo aquele homem do óculos estranho. É daqueles que têm lentes de sol e grau, e a parte escura pode ser levantada, sabe? Fica como uma aba, coisa feia. Ele anda por ali, tem um jeitão de gringo. Ele rebola um pouco. Aliás, ele rebola bastante, com a camiseta preta propositadamente pra dentro do jeans só na parte de trás. Parece daqueles que levam um tempão se arrumando pra parecer que não se arrumaram. Deve lustrar a careca.

A moça do Big Brother é bonita. Mentira. É linda. E eu achava ela bem feia na TV. Sempre falei daquele maxilar muito marcado. Que nada! Linda, sorridente e com uma invejável paciência pra atender a todos os tiozões babões ao redor dela, tirando fotos com seus celulares que provavelmente custam mais do que o meu salário.

Outra vez aquele bonitinho. Não o do blind date aeroportuário, outro. O cabelo, enrolado feito o meu, tenta fugir do dispensável chapéu de Alex de Large. A carinha de "eu não tenho muito mais do que vinte anos" já faz com que ele seja o amor da minha vida esta manhã. Ele tira dois exemplares da L&PM da mochila… não posso ver os títulos mas já arrisco dizer que ele é, na verdade, minha alma gêmea esta amanhã, ali, tomando uma água mineral.

Já é tempo de me encaminhar pro avião. Mas não sem ver passar Oscar, o do basquete. Ele é grande - é só o que eu tenho a dizer. Preciso guardar a caneta e o caderno.

[…]

Eu juro que não consigo entender porque o camarada ali da frente fica pulando do assento 3A para o 3F, e voltando. Na decolagem, inclusive. Ouviu uns desaforos da aeromoça, mas foi como se não tivesse ouvido. Ele simplesmente não sossega.

Tô querendo fechar o caderno e abrir a revista. Ainda não li a entrevista da Luciana Gimenez e quer saber? Gosto dela. Não do programa da televisão, mas vou com a cara dela. Acho que começou quando todo mundo rotulava de burra e coisa tal. Burras são as unanimidades, enfim. E por falar em revista, o que é essa madame ao meu lado, levantando a dela toda vez que percebe que eu olho pra janela?

 

* postado daqui, escrito lá.


texto em: outros escritos, viagem

___________________________________________ 02/04/09 @ 00:51   Comentários 1

São Paulo - 3/4

Tenho chorado leites derramados demais. Deveria derramar menos. Ou chorar menos, que fosse. Ajudaria pensar mais antes das coisas, e não ruminar os velhos pensamentos depois, quando são só tralhas de memória.

Mas sabe como é, né? Faço o que eu faço. Mas não faço o que eu digo.

*

Última noite em São Paulo. Não vi minha amiga querida. Estou puta com isso. E com aquele tranco da batida, por ter me transformado nesse Robocop de movimentos limitados pela dor no pescoço/coluna, que estava ruim ontem, mas hoje… pelamordedeus, devo ter forçado alguma coisa à tarde, porque tá me matando. Hum… pensando bem, na verdade eu nem lembro como o Robocop se movia, mas isso também não importa.

*

Tá frio.

*

É impressionante como, sem o trabalho, eu ocupo a minha cabeça com bobagens. Preciso arrumar outra coisa pra preencher a lacuna. Há. Há.

*

É o ar condicionado. Vou dormir.


texto em: internas, viagem

___________________________________________ 01/04/09 @ 15:04   Comentários 0

São Paulo - 2/4

Enquanto todos os carros do mundo pareciam estar na rua desta cidade e um resolveu entrar no porta-malas daquele que eu ocupava - cabeça e pescoço e costas e óculos e sabe-se lá o que mais eu tinha nas mãos, nem sei direito pra que lado foi, foi estranho, foi ruim, foi um susto, mas ninguém se machucou. Enquanto a gente observava a cidade grande com cara de "olha como é grande a cidade!", e passava uma confusão de pardo e colorido de mais carros e pessoas de gravata-mochila-chinelo-ônibus-bmw-uniforme-bicicleta-fone-de-ouvido-roupa-furada e cachorro e papelão e uma briga no meio da rua e mais um sem fim de coisas. Minha cabeça estava longe. E estava aqui. Perdida em alguma rua, lastimando coisas de um ano atrás como se fossem importantes, como se fossem brotar do chão em qualquer esquina. Não estamos na vila, mas não perdi o costume.

*

Fomos ao museu e é bonita a coisa toda das palavras, dá vontade de sair escrevendo e lendo uma porção. Dá vontade de ter uma Praça da Língua em casa.

*

Os conselhos furados são cheios de boas intenções, eu sei. Mas são aqueles mimimizinhos que se aplicam a qualquer situação, com todo o respeito. E ainda que fossem grandes pérolas de sabedoria, continuariam conselhos. Sabemos do que eles servem, não sabemos?

E agora: quem sou, onde estou e pra onde vou em São Paulo com a minha grávida de estimação? :P


texto em: internas, viagem

___________________________________________ 30/03/09 @ 21:56   Comentários 2

São Paulo - 1/4


São Paulo em azul. Preguiça tanta que nem abri a janela.

São Paulo acordou com um céu azulzinho simpático, enquanto Nice e eu nos arrastávamos pra fora das camas logo cedo. O dia foi longo e cheguei a pensar que a única opção para sair do auditório, no final da tarde, seria abater a palestrante a tiros, já que ela não parecia ter nenhuma intenção de parar de falar (mesmo quase duas horas após o horário esperado para o encerramento). É boa a Dona Pregoeira do TRT da (insira aqui um número que eu esqueci) Região. Mas faaaaaala.

Ainda não descobri como exatamente vou dar um olé no horário pra conseguir horas livres à tarde. Mas devo saber disso já, já, assim que a Nice parar de trabalhar e confabularmos um pouco a respeito.

Ensaboa, mulata... ensaboa...
Ela trabalha e eu fico aqui, tirando essas fotos importantes, na companhia da Lya e do Joey.

Falando na Naice, o casamento foi festona. Estávamos muito finas :P

Lá vem a noivaaaa...
Fabi, Léo, eu, Nice e Fê

Oi, Catarina!
Eu e essas meninas que eu amo

 

~ fotos toscamente redimensionadas no html, porque aqui não consigo fazer melhor - tende paciência.


texto em: fotos, gente que eu gosto, viagem

___________________________________________ 26/11/08 @ 22:20   Comentários 3

De Floripa

Estou na capital, e coisa e tal. A estrada estava vazia e sem água. A viagem foi tranqüila. Mas a viagem, não eu. Sabe quem morre de medo de avião a ponto de só embarcar quando não há alternativa? Sou assim com relação a carros e estrada. Agora, some a isso aqueles morros que nitidamente haviam cedido há pouco tempo, terra ainda espalhada no asfalto, por todo o trajeto. Os rios absurdamente cheios, e as margens da rodovia, com casas, pasto, árvores, obras, empresas… tudo alagado: pânico. Rolou até um “papai do céu, me leva direitinho pra Floripa”.

Passada a viagem, eu estava tão nervosa que levei milanos pra dormir. Do pregar do olho pro tocar do despertador, eu tive pouco mais de três horas, o que acabou fazendo com que as oito horas de curso fossem ainda maaaais cansativas (isso sem mencionar o sobe-desce morro porque o cara do Ibis me explicou errado como chegar no local do curso, que fica à dois – sim, DOIS! – minutos, andando, do hotel).

No intervalo do curso, todo mundo perguntando sobre as chuvas. A verdade, sem meias palavras, é que o estado tá na merda. O que foi feito de Blumenau e Itajaí me dá vergonha de estar aqui, num hotel, vida boa, achando ruim que eu demoro pra acertar a temperatura do banho. A vida da gente segue enquanto a de tantas pessoas está embaixo d’água, da terra, da tristeza de ter perdido o patrimônio ou, sem comparação, perdido alguém querido. E como disse a Lya, no twitter, é solidariedade a doação feita por pessoas de outros estados, a gente, que está aqui em SC, tem a obrigação.

E por falar na Lya, o blog tela está com um post importante, com umas recomendações para quem quiser ajudar. Vamos lá, pessoas!


texto em: é sério, viagem, enchente em SC

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