Cecília. Leia. Seja amigo. Siga. Escreva. Veja. Leia mais.


___________________________________________ 18/11/09 @ 15:30   Comentários 0

Aí foi que o barraco desabou*

Então é assim: ocorreu um problema estrutural no meu prédio (uma viga de sustentação cedeu e até a alma do imóvel está rachada e comprometida) e não podemos continuar morando lá até que isso seja resolvido. Ou, no meu caso: nunca mais poderei morar lá porque não vou conseguir viver sem pensar naquilo caindo. Deu-se uma solução provisória, de modo que minhas coisas ainda estão lá e ok, não serão soterradas. Mas a gente tem que sair, já dizia o clichê: seguro morreu de velho.

O pessoal da imobiliária e o proprietário do prédio estão sendo muito bacanas diante do acontecido. Já arrumei outro apê e a papelada está correndo. Enquanto isso, fico amontoada na casa de papai e meus felinos, num hotel (são muito mais finos).

Estou meio desorientada, então relevem qualquer coisa. Se passarem por mim na rua e eu não reconhecer, se eu fiquei de fazer tal coisa e não fiz, se eu disser qualquer bobagem… a verdade é que ainda não me recuperei totalmente do susto. Mas vâmo nessa, já falei que a hora em que a contrapartida desse ano bizarro chegar… ah! meus caros! felicidade não vai ser pouca ;)

 

* não, mas quase


texto em: é sério, vidinha

___________________________________________ 16/11/09 @ 15:24   Comentários 0

Era uma casa muito engraçada

E de repente tocaram a campainha de manhã e disseram que eu precisava sair. Rápido. Não raciocinei direito, tentei um banho que não deu certo e desisti. Vesti qualquer coisa e liguei pra alguém me ajudar com os bichanos. Irresponsabilidade assustada, demorei pra sair mesmo dali. Peguei minha XA2, e nenhum rolo de filme. Não peguei os documentos que preciso entregar hoje. Não peguei roupa que se possa vestir, nem meus remédios. Mas peguei a escova de dentes. E fui embora com os pés ainda molhados.

As rachaduras nas paredes gritavam. Enormes. O teto está completamente estranho. 

Não sei quando (ou se) poderei voltar lá pra dentro. Do meu lugar. Pode parecer besta dizer isso, mas a cama, o fogão e a TV compra-se outra vez. Não sai barato, mas com o tempo, compra-se outra vez. Fico pensando nas minhas fotos, livros, bobagens, pequenas tralhinhas nas quais eu deposito algum sentimento.

Fico aqui esperando uma ligação que me esclareça qualquer coisa. Enquanto isso, tenho medo.

Você sabe uma coisa engraçada sobre se sentir perdida ? Você pode se sentir perdida em qualquer lugar! *


texto em: é sério

___________________________________________ 12/09/09 @ 00:43   Comentários 0

Dos vilões e das mocinhas

Tem coisas nas quais a gente nunca acredita. Coisas que parecem existir apenas na ficção. Os planos mirabolantes. Os vilões bem malvados. As conspirações e armações que ninguém percebe ao longo da história, enquanto os bonzinhos sofrem, e só no final são descobertas. E eu não tô falando das intriguinhas da Malhação. É coisa de novela das oito nove, no mínimo. É coisa do Super Cine. De filme do Corujão (se ainda existisse o Corujão).

Aí um dia acontece contigo. E por convicção, por valores, por o que quer que seja, tu vai lá e faz aquilo que sempre disse que faria (enquanto os outros te olhavam com cara de "não! tu não vai ter coragem! não faz isso!"). E tu sabe que VEM MAIS POR AÍ. Que mexeu com gente que não deixa barato. Sabe que vai, no mínimo, te custar algumas coisas importantes. Mas é preciso se posicionar diante das coisas, não é?

Eu não sei da semana que vem. Não sei. Tudo é dúvida: o que farão e o que farei. A única coisa que sei é que os julgamentos virão, que os dedos apontarão pra gente acompanhados dos mais variados comentários. Mentira, eu sei de outra coisa: quem me ensinou a ser assim disse que fiz o correto.

Dormirei com medo, confesso. Mas certa do tipo de pessoa que eu sou, e isso, de alguma maneira, me tranquiliza.


texto em: é sério

___________________________________________ 29/05/09 @ 14:16   Comentários 1

Segue o baile

Os dias passam arrastados. A gente faz ou não faz as coisas quase no automático, esperando pelo horário da visita. Pelo horário em que termina o horário da visita, pra ligar pra alguém e saber notícias. Hoje de manhã ela conversou um pouco, abriu mais os olhos, perguntou do carro novo. Coisas tão miudinhas, e a gente comemorando como se fossem do tamanho do mundo. Porque na verdade são.

*

Não é fácil manter a sanidade. Passei dias folheando revistas sem tomar conhecimento do conteúdo. Abri dúzias de blogs que não li. Perfis de orkut que não sei de quem são. Os olhos andaram por imagens que não vi. A internet virou uma fuga estranha. O mouse na mão e o olhar no vazio. Não tenho falado com muitas pessoas porque não sei o que dizer. Faço promessas de aparecer até onde sei que não me querem tanto assim. Tudo pra ver se a cabeça muda de assunto por alguns minutos. No fim, não faço nada. Finjo que esqueci do que disse e não vou a lugar algum. Sinto-me de certa forma egoísta quando fraquejo e choro sozinha. Parece que todos tem aguentado melhor. Depois penso que também devem chorar às escondidas. Cada qual reage de um jeito (eu disse isso tantas vezes na hora do extremo nervosismo alheio) mas a dor não é menor pra ninguém.

*

Revelei umas fotos. Fiz as unhas. Fui com as meninas do trabalho na casa da Priscila ontem à noite. Pensei em mudar meu corte de cabelo (não!). Procurei Donnie Darko, entre meus filmes, pra assistir. Refleti sobre meu relacionamento amoroso (putz) e percebi que ele já era (paciência). Li todos os e-mails não lidos da LomoBr (eram muitos). Organizei uns links dos meus favoritos (pra quê?). Fiz as sobrancelhas. Eticétera. Eticétera. Eticétera.

Tudo pra ocupar a cabeça.

*

Mas hoje eu acordei chorando até pra dar bom dia. Achei que não seria adequado trabalhar nessas condições e, ainda aos prantos, me dei folga. A chefe deve estar meio (muito?) puta, e a minha avaliação de desempenho está lá por fazer, mas no momento eu não estou ligando.

Percebi agora que estou com fome, melhor almoçar.


texto em: aleatórias, é sério, gente que eu gosto, vidinha

___________________________________________ 25/05/09 @ 10:33   Comentários 2

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Eu queria mesmo era a vida chegando, dando uma risadinha e dizendo que está de brinks comigo e com a minha galere. Eu quero contar, mas não quero. Só sei dizer que tá foda. Que vai ficar tudo bem, mas que enquanto não termina, é tenso como nunca foi. Nunca.

Cada um acredita no que quiser. Eu, em Deus. Sem atravessador de porcelana ou do tipo que pede dinheiro. Deus mesmo. Eu falo com ele, Ele comigo. Ninguém se mete. Na primeira noite, a noite mais escura que já houve, chorei pra Ele toda a minha angústia, todo meu medo, todas as coisas ruins que nem nome tem, mas formavam um emaranhado no meu peito. Foi difícil dormir as horas arrastadas que seguiram. Sim, Ele é Deus. Mas eu sou humana. E é por isso que, mesmo confiando, sigo meio ressabiada - humana demais.

Muitas horas de vários dias ainda vão passar devagar. Nossas conversas e pensamentos passarão entre horários de visitas e choros de desconhecidos, ou não tanto, pois já se sabe o nome de quem está ao lado, a dor aproxima, iguala de um jeito que nada mais faz.

E os fortes aparecem. Todos. Segurando uns aos outros como antes não se viu. E de repente, entre sorrisos, passamos a nos permitir planos de celebração, pra quando isso finalmente terminar. Até lá, a gente aguenta no osso do peito.


texto em: é sério

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