Cecília. Leia. Seja amigo. Siga. Escreva. Veja. Leia mais.


___________________________________________ 12/09/09 @ 00:43   Comentários 0

Dos vilões e das mocinhas

Tem coisas nas quais a gente nunca acredita. Coisas que parecem existir apenas na ficção. Os planos mirabolantes. Os vilões bem malvados. As conspirações e armações que ninguém percebe ao longo da história, enquanto os bonzinhos sofrem, e só no final são descobertas. E eu não tô falando das intriguinhas da Malhação. É coisa de novela das oito nove, no mínimo. É coisa do Super Cine. De filme do Corujão (se ainda existisse o Corujão).

Aí um dia acontece contigo. E por convicção, por valores, por o que quer que seja, tu vai lá e faz aquilo que sempre disse que faria (enquanto os outros te olhavam com cara de "não! tu não vai ter coragem! não faz isso!"). E tu sabe que VEM MAIS POR AÍ. Que mexeu com gente que não deixa barato. Sabe que vai, no mínimo, te custar algumas coisas importantes. Mas é preciso se posicionar diante das coisas, não é?

Eu não sei da semana que vem. Não sei. Tudo é dúvida: o que farão e o que farei. A única coisa que sei é que os julgamentos virão, que os dedos apontarão pra gente acompanhados dos mais variados comentários. Mentira, eu sei de outra coisa: quem me ensinou a ser assim disse que fiz o correto.

Dormirei com medo, confesso. Mas certa do tipo de pessoa que eu sou, e isso, de alguma maneira, me tranquiliza.


texto em: é sério

___________________________________________ 29/05/09 @ 14:16   Comentários 1

Segue o baile

Os dias passam arrastados. A gente faz ou não faz as coisas quase no automático, esperando pelo horário da visita. Pelo horário em que termina o horário da visita, pra ligar pra alguém e saber notícias. Hoje de manhã ela conversou um pouco, abriu mais os olhos, perguntou do carro novo. Coisas tão miudinhas, e a gente comemorando como se fossem do tamanho do mundo. Porque na verdade são.

*

Não é fácil manter a sanidade. Passei dias folheando revistas sem tomar conhecimento do conteúdo. Abri dúzias de blogs que não li. Perfis de orkut que não sei de quem são. Os olhos andaram por imagens que não vi. A internet virou uma fuga estranha. O mouse na mão e o olhar no vazio. Não tenho falado com muitas pessoas porque não sei o que dizer. Faço promessas de aparecer até onde sei que não me querem tanto assim. Tudo pra ver se a cabeça muda de assunto por alguns minutos. No fim, não faço nada. Finjo que esqueci do que disse e não vou a lugar algum. Sinto-me de certa forma egoísta quando fraquejo e choro sozinha. Parece que todos tem aguentado melhor. Depois penso que também devem chorar às escondidas. Cada qual reage de um jeito (eu disse isso tantas vezes na hora do extremo nervosismo alheio) mas a dor não é menor pra ninguém.

*

Revelei umas fotos. Fiz as unhas. Fui com as meninas do trabalho na casa da Priscila ontem à noite. Pensei em mudar meu corte de cabelo (não!). Procurei Donnie Darko, entre meus filmes, pra assistir. Refleti sobre meu relacionamento amoroso (putz) e percebi que ele já era (paciência). Li todos os e-mails não lidos da LomoBr (eram muitos). Organizei uns links dos meus favoritos (pra quê?). Fiz as sobrancelhas. Eticétera. Eticétera. Eticétera.

Tudo pra ocupar a cabeça.

*

Mas hoje eu acordei chorando até pra dar bom dia. Achei que não seria adequado trabalhar nessas condições e, ainda aos prantos, me dei folga. A chefe deve estar meio (muito?) puta, e a minha avaliação de desempenho está lá por fazer, mas no momento eu não estou ligando.

Percebi agora que estou com fome, melhor almoçar.


texto em: aleatórias, é sério, gente que eu gosto, vidinha

___________________________________________ 25/05/09 @ 10:33   Comentários 2

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Eu queria mesmo era a vida chegando, dando uma risadinha e dizendo que está de brinks comigo e com a minha galere. Eu quero contar, mas não quero. Só sei dizer que tá foda. Que vai ficar tudo bem, mas que enquanto não termina, é tenso como nunca foi. Nunca.

Cada um acredita no que quiser. Eu, em Deus. Sem atravessador de porcelana ou do tipo que pede dinheiro. Deus mesmo. Eu falo com ele, Ele comigo. Ninguém se mete. Na primeira noite, a noite mais escura que já houve, chorei pra Ele toda a minha angústia, todo meu medo, todas as coisas ruins que nem nome tem, mas formavam um emaranhado no meu peito. Foi difícil dormir as horas arrastadas que seguiram. Sim, Ele é Deus. Mas eu sou humana. E é por isso que, mesmo confiando, sigo meio ressabiada - humana demais.

Muitas horas de vários dias ainda vão passar devagar. Nossas conversas e pensamentos passarão entre horários de visitas e choros de desconhecidos, ou não tanto, pois já se sabe o nome de quem está ao lado, a dor aproxima, iguala de um jeito que nada mais faz.

E os fortes aparecem. Todos. Segurando uns aos outros como antes não se viu. E de repente, entre sorrisos, passamos a nos permitir planos de celebração, pra quando isso finalmente terminar. Até lá, a gente aguenta no osso do peito.


texto em: é sério

___________________________________________ 01/12/08 @ 21:50   Comentários 0

Voltar pro colchão

Hoje, quando quase consegui resolver a questão dos meus seiscentos e trinta reais e quatro centavos que sumiram entre o Banco do Brasil e o Bradesco, me senti tratada como uma idiota pela instituição à qual confio o meu dinheiro há mais de oito anos. Depois de muito falar com muitas pessoas, descobri, esta manhã, que: 1. o Bradesco (que processa os pagamentos da Sociesc) não recebeu o pagamento do BB referente à minha mensalidade e 2. a Sociesc não emitirá outro boleto, de modo que eu me f*di, perdi o desconto pra quem paga até o dia 10, e ainda entubei uma multa por atraso no pagamento.

Tão cheia de discutir por essa porra de assunto que estou, calei sobre a não emissão do novo boleto e liguei pro meu banco pra saber pra onde eles mandaram a grana. A primeira vez (de hoje), pouco depois das duas da tarde. A telefonista que não anota recados porque é telefonista (mas hein?) transferiu minhas inúmeras ligações que chamaram até cair. Finalmente, às quatro e pouco, ao ouvir que "nosso expediente externo é das onze da manhã às quatro da tarde, blá blá blá", eu já estava completamente descontrolada e mandei um email bem querido pro meu banco porque, porra!, há mais de duas semanas estava tentando falar com meu gerente e não conseguia. Ligou-me, mais tarde, o Joel. Dando risadinhas, disse que realmente deu um probleminha (ããããã?) com o pagamento e que não haviam entrado em contato comigo ainda porque o meu gerente está em férias! Sensacional! E se ele tivesse morrido, nunca mais eu teria uma resposta sobre o assunto? Mas que ele ia extornar imediatamente (super ágil, ã?) o valor na minha conta e depois, quando o gerente voltasse de férias, me passaria o que realmente havia acontecido. Quanto mencionei os juros nos quais eu ia bailar ele repetiu que quando o gerente voltasse… Depois, com mais risadinhas, como se me desse um pirulito pra eu parar de chorar, ligou de novo dizendo que tinha aumentado o meu limite em cem reais, pra quebrar um galho com a questão dos juros, se eu precisasse.

Quero que o Banco do Brasil vá tomar no c*, comofas?


texto em: é sério, irritâncias

___________________________________________ 26/11/08 @ 22:20   Comentários 3

De Floripa

Estou na capital, e coisa e tal. A estrada estava vazia e sem água. A viagem foi tranqüila. Mas a viagem, não eu. Sabe quem morre de medo de avião a ponto de só embarcar quando não há alternativa? Sou assim com relação a carros e estrada. Agora, some a isso aqueles morros que nitidamente haviam cedido há pouco tempo, terra ainda espalhada no asfalto, por todo o trajeto. Os rios absurdamente cheios, e as margens da rodovia, com casas, pasto, árvores, obras, empresas… tudo alagado: pânico. Rolou até um “papai do céu, me leva direitinho pra Floripa”.

Passada a viagem, eu estava tão nervosa que levei milanos pra dormir. Do pregar do olho pro tocar do despertador, eu tive pouco mais de três horas, o que acabou fazendo com que as oito horas de curso fossem ainda maaaais cansativas (isso sem mencionar o sobe-desce morro porque o cara do Ibis me explicou errado como chegar no local do curso, que fica à dois – sim, DOIS! – minutos, andando, do hotel).

No intervalo do curso, todo mundo perguntando sobre as chuvas. A verdade, sem meias palavras, é que o estado tá na merda. O que foi feito de Blumenau e Itajaí me dá vergonha de estar aqui, num hotel, vida boa, achando ruim que eu demoro pra acertar a temperatura do banho. A vida da gente segue enquanto a de tantas pessoas está embaixo d’água, da terra, da tristeza de ter perdido o patrimônio ou, sem comparação, perdido alguém querido. E como disse a Lya, no twitter, é solidariedade a doação feita por pessoas de outros estados, a gente, que está aqui em SC, tem a obrigação.

E por falar na Lya, o blog tela está com um post importante, com umas recomendações para quem quiser ajudar. Vamos lá, pessoas!


texto em: é sério, viagem, enchente em SC

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