Post de dia dos namorados - 2 de 7
Eu saía da escola todos os dias, lá pelas onze e tanto, com aquela calça do uniforme cor de beterraba (medonha), muitas vezes com meu moletom azul do Sonic Youth (não tirava nunca) e ia esperar a Maris na saída do trabalho dela. Tinha 15, 16 anos, por aí.
Ele, que trabalhava no mesmo lugar, saía, passava por mim e dava um aceno de cabeça. No máximo um "oi".
E eu ficava lá sonhando com o dia em que ele - bem mais velho, do tipo inteligente, meio desligado, e todo diferentão - pararia pra falar comigo (imagine só!)… até o dia em que ele parou (e o mundo parou junto). Convidou-me pra almoçar (lindo!). A família achou estranho: um adulto! E no dia seguinte fui à aula com a cabeça cheia de recomendações.
De início, ganhei margaridas e devo ter ficado sem graça. Lembro que meu almoço foi um lanche do Mc Donald’s. O dele foi um prato cheio de salada. Não sei o que conversamos. Mas tenho certeza de que não nos tocamos em nenhum momento, nem ao menos demos as mãos.
No dia seguinte, fiquei com uma mistura de repulsa e vergonha. E primeira passou. Ele viajou pela América do Sul, me trouxe uma bolsa linda mas, por timidez, segundo me disseram, não me entregou pessoalmente. Pela mesma razão, eu nunca agradeci.
A bolsa eu usei por anos.
Nunca mais nos falamos.
Ele até poderia ter boas intenções, mas eu gostava mais do meu amor platônico de adolescência. Aquele, que sumiu em hambúrguer e refrigerante.
texto em: outros escritos, dia dos namorados







Carolda — 08/06/09 @ 17:41
Amores platônicos acabam em coisas simples. Aliás, se não fosse assim, eles provavelmente não seriam platônicos. A graça toda está em sonhar sozinho, depois que chega perto perde a graça.