Episódio 01 - Susto e medo.
Segunda-feira, final da manhã, vou ao oftalmologista. Exames de praxe e tudo o mais. De repente o médico escreve uma carta de encaminhamento a um neurologista, que eu precisaria consultar urgentemente, de preferência assim que saísse dali. O oftalmo me disse pouca coisa, mas não precisei de muito mais, depois de "você tem que obter o parecer de um neurologista logo, enquanto está com 100% da visão". O mundo parou depois de ouvir isso. E tudo foi choro e medo superlativo.
Episódio 02 - O túnel.
Depois de conseguir falar com a neurologista, era hora de dar uma olhada no meu cérebro. Já descrevi o quão enlouquecedor pode ser a realização de uma ressonância magnética de crânio. E é. E é. Vesti aquela roupinha ridícula de hospital, me assustei, apertei a campainha (os enfermeiros nos dão uma) e parei o exame durante a realização, por puro nervosismo… mas nervosismo mesmo rolou durante o dia e meio entre a saída do túnel do resultado da ressonância - o período mais longo que se pode imaginar.
Episódio 03 - Cérebro? Óquei.
Sexta-feira, mal conseguindo falar sobre qualquer coisa sem chorar, tal era o meu estado, fui com a Maris, uma das minhas mães, buscar o exame. Todos os cliques do meu cérebro em vários cortes e posições não faziam o menor sentido, mas o laudo salpicado de "normal" dizia, na verdade: Cecília, minha guria, pára de chorar que tu não tem um tumor! E daí? Chorei, né? Emoção, alívio e tá-mas-que-porra-tá-tirando-a-minha-visão? O neurologista disse que é a pressão no crânio, que está elevada por alguma razão. É um problema, mas o menor dentre os possíveis. Na segunda vejo outro neuro, especialista nessa coisa da pressão. Agora é esperar.
* Ao vivo.
No momento, minha cabeça dói horrores e minha visão está um lixo, mas pelo menos estou lidando com a situação de uma maneira que me permite manter a sanidade e agir naturalmente.
Preciso registrar que minha família tem sido uma rocha, coisa incrível. Todos eles: pai, Maris, Roberta, Talitinha, Augusto, Fernanda, mãe… Seja por resolver as coisas pra mim enquanto eu estava com a cabeça fora dos eixos, seja por me acompanhar às consultas, por me manter ocupada, por não me deixar sozinha, por me lembrar que eu não estou sozinha. Amo todos. Os amigos têm sido igualmente importantes, e sentir a preocupação vinda de pessoas que eu nunca imaginei que se interessariam por mim dessa forma, mas faz sentir querida e é ótimo :]